Feliz Dia do Pai

Pai

Hoje é o dia do Pai. Uma data para mim nostálgica, na qual te felicito em silêncio enquanto recordo os nossos momentos. Vivi mais anos sem ti do que contigo, mas sinto-te sempre presente, sempre olhando por mim.

Recordo-te todos os dias mas hoje é um dia especial. Tantas memórias vivas que mantenho.
Chegavas do trabalho e esticavas-te no sofá.  Pegavas no comando e punhas aquela cassete VHS que ainda hoje não sei como aguentou tanto rewind… Burbujas de Amor, do Juan Luis Guerra.  Ainda hoje não consigo ouvir esta música sem que chore.  Volto ao passado.  E quando me levavas ao teu trabalho e te gabavas dizendo “tem os olhos do pai”…todos se riam…sim, porque os meus olhos são verdes e os teus castanhos. Não imaginas o quanto hoje te agradeço por essa piada porque foi ela que me fez ter certeza de que eras tu naquele dia que mudou a minha vida. Nesse dia confirmei aquilo que sentia…agora sei que estás sempre comigo e que, quando chegar a hora, teremos todo o tempo do mundo para nos amarmos. No fundo, desde sempre soube que era apenas um Até Já.

E quando visitas os meus sonhos? Calculas como fiquei baralhada quando percebi que cada sonho que se seguia era uma continuação do anterior? Como se uma história só nossa em que nos reencontramos noutra dimensão? Uma dimensão onde te antecipava os movimentos, os comportamentos e…ainda assim…conseguias sempre surpreender-me.

E daquela vez q tínhamos visitas em casa e me foste mostrar um truque de karaté? Ainda lá está a marca, na porta da casa de banho? O que nos rimos… e a tábua de cortar a carne? Não sei quantas vezes a tentaste partir ao meio…Lembro-me bem de te fazer cócegas nos pés e tu, concentradíssimo para não rir, ou de contraires a barriga para eu fazer os meus próprios truques marciais que te deixavam vermelho e a falar fininho.

E na rua? Quando encolhias a barriga e as calças te caiam em plena rua? Tanta vergonha que eu sentia e o que daria hoje para que o repetisses e me fizesses rir. Ou quando brincavas com a placa enquanto reviravas os olhos…para ti tudo era diversão, fazias de tudo para me roubar uma gargalhada. E o “Chiça Penico” ou aqueles “peixes escaganifobeticos vermelhos”, expressões só nossas.

E quando íamos ao hipermercado, enquanto passava um rapaz e me dizias “Sofia, olha aquele garino!” Que vergonha …que saudades…

Recordo também as vezes que choraste comigo. Passavas no quarto e, se me ouvisses chorar, vinhas para perto de mim.

E os passeios na Segunda Circular, quando lá poucos carros passavam. Deixavas-me meter as mudanças do teu Alfa Romeo 1.6 Junior.

E aquele alvo de cartão que fizemos e pendurámos na cozinha para brincar com a pistola de chumbos? Herdei de ti o gosto por armas (não tenho nenhuma, apenas as tuas navalhas de ponta e mola que guardo numa caixa, junto com os teus óculos, o teu porta-chaves vermelho e outras memórias).

Memórias… tenho muitas e boas. Saudades tuas…muitas. Hoje era e será sempre o teu dia. Feliz Dia do Pai!

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