O meu nome é Zucka e sou Pitbull

Bom, este título mais parece uma apresentação das reuniões dos Raças Anónimas!

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  Apresento-me… o meu nome é Zucka Maria Taveira, Zucka para os amigos, mas também conhecida como Chica, Chicalita, Chuchi… enfim, a minha mãe chama-me imensos nomes, mas eu acho que são nomes fofos porque ela pronuncia-os de forma muito doce e carinhosa. Quando está mais irritada, chama-me Bully (porque a fonte da sua irritação geralmente é por estar a chatear o meu irmão Nine).

Wowwww I feel good
Wowwww I feel good
So good, 'cause I got youuuu!
So good, ‘cause I got youuuu!

  Nasci em abril de 2007 e sou uma patuda alentejana. Existem mais patudos como eu, de raça Pitbull, mas a minha mãe gosta de me referir como Pitabula… provavelmente porque gosto de provocar o Nine se bem que… ela sempre me chamou assim… hmmm… Bom, passando à frente. Esperem só um bocadinho… acabei de ver um brinquedo, vou só buscá-lo para ir brincando enquanto conto a minha história!

(Passados 20 minutos)

Era assim pequenina
Era assim pequenina

O meu primeiro dia O meu primeiro dia

 

 

 

  Ah, que maravilha, adoro brincar, ia partindo a TV porque o boneco me saltou da boca enquanto o sacudia… é um brinquedo grande e pesado, às vezes escapa-me. Bom, mas onde ia eu… ah sim, como dizia, sou alentejana e, verdade seja dita, não faço nada devagarinho nem nas calmas… eu sou um furacão. Apesar dos meus quase 9 anos, as pessoas na rua perguntam frequentemente aos meus pais quantos meses tenho, só para terem uma ideia de como sou. Sou bem gira, magrinha, um porte atlético e super simpática, basta que olhem para mim ou que digam o meu nome numa conversa para eu começar logo a abanar a minha chibata. Tenho alguns pelos brancos que me começaram a aparecer na bochecha mas passa despercebido na minha pelagem de tigresa. Nesse aspeto, estou tão bem conservada como a minha mamã, ninguém diz que ela é quase quarentona! Deve ser porque, além da juventude, também lhe herdei o gosto pela fruta, sou muito fruteira. Adoro banana, melancia, melão, morango e adorava cerejas, até tinha aprendido a sacá-las com os dentes diretamente do pauzinho. Mas depois a minha mãe descobriu que me faziam mal e nunca mais me deu, portanto já não gosto de cerejas. Volto já! Acabei de encontrar outro boneco, ainda não brinquei com ele hoje!

(Passados 15 minutos)

Pilates
Pilates
Ai preguiça
Ai preguiça

 

 

 

 

 

 

 

Já me estava a perder na conversa outra vez. Estava eu a contar…

  Ah! Bom, a minha mãe, apesar das nossas parecenças, não é a minha mãe biológica. Fui adotada quando tinha 4 meses. Estava num canil algures pelo Alentejo e fui resgatada por um voluntário a meio da noite, sem papéis, sem nada… a situação no canil não estava fácil. Não vou dizer como me chamavam lá porque não quero voltar para lá nunca mais! Estava num espaço muito pequeno e cheio de cães grandes e adultos. Lembro-me, como se fosse ontem, da primeira vez que vi a minha mamã. Fiz a viagem na carrinha e enjoei muito por causa das curvas. Quando pararam o carro, saí da carrinha e estávamos num parque de estacionamento, onde vi uma menina perto de outro carro, ajoelhada a olhar para mim de braços abertos e a sorrir. Dirigi-me a ela timidamente, de cabeça baixa (estava mesmo muito enjoada) e vomitei, quase que lhe acertava nos sapatos! Grande entrada hein? Por pouco não causava má imagem.

Ui, hora do biscoito! Volto já, já!

Raio das formigas
Raio das formigas
Finalmente...relax
Finalmente…relax

 

 

 

 

 

 

 

 

  Como estava a contar, entramos no carro e vim o caminho todo a dormir ao colo da minha mamã. O meu nariz pingava. É engraçado porque dizem que quanto mais velhos ficamos, mais nos recordamos dos nosso tempos de infância mas eu não me lembro de nada… não sei qual a minha história, nem porque tenho esta cicatriz tão grande na perna. Sei que não gosto muito quando me tocam nela, mas não me lembro como a fiz. Mas deste dia, o dia em que conheci a minha mamã, lembrar-me-ei sempre.

Ai beijinho bom
Ai beijinho bom
No colinho dos papás
No colinho dos papás

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Rapidamente ganhei peso e as pernas foram começando a ganhar uma forma decente, perdendo aquele efeito de arco. Eu era muito traquina, fazia muito xixi e cocó em casa, gostava de fugir pelas escadas, adorava rasgar folhetos e papel higiénico. Porém, tenho um fetiche que ainda hoje me acompanha… paredes. Não sei se tenho ascendência de trolha, mas adoro esburacar uma boa parede. Geralmente as de esquina, mesmo ao lado da porta. Bom, a verdade é que não gosto quando fico sozinha. Fico sempre naquela angústia de pensar se eles voltam, se se esqueceram de mim… Por outro lado, sempre vou aparando as unhas, faz um pouco de pó mas é divertido e alivia-me o stress. E também tenho outra tara, mas essa não causa estrago, só pura diversão. Às vezes, quando estou entediada gosto de mordiscar os lençóis, almofadas e cobertores. A minha mãe fica doida, diz que estou com raivinha nos dentes.

Oopss...apanhada no flagra...raivinha nos dentes
Oopss…apanhada no flagra…raivinha nos dentes

Olha o Kong! Já volto, só brincar um bocadinho para queimar as calorias. Como acham que mantenho este corpinho?

Será que está fria?
Será que está fria?

 

 

Só nós duas!
Só nós duas!

 

 

 

 

 

 

 

  As pessoas gostam sempre de mim porque sou muito simpática. Às vezes acontecia estarem a dar-me festas e depois a minha mãe dizia algo (acho que respondia de que raça eu era) e paravam as festas… Malta, ser pitbull não é contagioso, ok? Adoro ir ao veterinário e sentar-me nas cadeiras como as pessoas grandes, enquanto espero pela consulta. Às vezes entusiasmo-me e salto também para a cadeira do doutor ou até mesmo para a secretária. Eles riem-se, nem sei como, porque quando faço isto cai tudo ao chão! Às vezes (bom, na verdade, sempre que posso) sento-me também à mesa de jantar, a ver se me põem um prato na mesa. Quando não há cadeiras livres, sento-me ao colo da minha mãe, inclino subtilmente a cabeça e com a minha grande língua, que a minha mãe chama de escalope, tento lamber o prato.

Eu a brincar ao Carnaval...sou um diabrete
Eu a brincar ao Carnaval…sou um diabrete
Eu sou bem comportada
Naaa… sou bem comportada
Ui, o prato está mesmo a jeito
Ui, o prato está mesmo a jeito

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Já mudei muitas vezes de casa. Depois da primeira casa que tive, fui viver só com a minha mãe, éramos só nós as duas, foi tão giro. Comia-lhe os saltos dos sapatos, estraguei-lhe 3 telecomandos num mês, fora os folhetos que me divertiam… Opa, ficava entediada quando ela me deixava sozinha. Ela benzia-se cada vez que me levava a passear porque eu sou muito despassarada e… confesso, puxo um bocado a trela, mas ela ia preparada, sempre com os seus ténis de tração às quatro, como ela lhes chamava. Gosto de ver tudo e de correr, mas como diz a minha mãe e o meu pai, estou de perpétua… trela para sempre! Tudo porque quando vejo uma borboleta, um gato, o que seja, saio a correr embevecida com o que estou a ver! Felizmente, sempre vivi em casas com terraço portanto posso correr e brincar na mesma.

Podes ir trabalhar, eu fico aqui mais um bocadinho
Podes ir trabalhar, eu fico aqui mais um bocadinho
Sou quida e fofa
Sou quida e fofa

 

 

 

 

 

 

 

 

  Uma vez, quando vivíamos sozinhas, estávamos na sala e ouvimos um enorme estrondo a vir da varanda… vivíamos no último andar. A minha mãe assustou-se, e eu… eu estava borrada de medo! Mas eu sabia que tinha de proteger a minha mãe e então, mesmo cheia de medo, olhei para ela e disse-lhe telepaticamente “Estou cagada de medo mas… eu sei… vou eu à frente, não é? Eu vou! Segue-me!”. Sim mãe, para que conste estava mesmo com medo! Isto de ser raça perigosa é só na teoria porque sou uma cagona e sabes bem que sou a coisa mais doce que alguma vez conheceste. Bom, pus-me à frente dela e, de pelo eriçado como um gato, fui a rosnar pelo corredor, ela atrás de mim. Foi a porcaria da mala trolley que caiu do armário… pfff, e nós borradas para nada! Rimo-nos de satisfação e alívio e fomos celebrar com uns biscoitos e bolachas.

  Não passado muito tempo, fiz uma amiga nova, a Luna. O dono dela era uma simpatia (e bem giro, diga-se de passagem). Tão giro que a primeira vez que o conheci na esplanada, saltei-lhe cima e sentei-me ao colo dele completamente em estilo de oferecida. Dei-lhe imensos beijinhos e disse à minha mãe ”por mim, aprovado!” e hoje é meu pai! Não tardou a que fôssemos todos viver juntos, numa casa com um terraço do tamanho de um court de ténis. Malta, não estou a inventar! Era mesmo brutal, até a minha mãe dizia que se cansava só de ir de uma ponta à outra. Eu fazia uns valentes sprints de vez em quando, mas preferia estar no sofá.

Oops! Acabei de levar na cabeça por estar a arrastar o cobertor pela casa, um dos meus hobbies favoritos.

Yes, nós somos fashion!
Yes, nós somos fashion!
Na patrulha
Na patrulha

 

 

 

 

 

 

 

  Vivemos alguns anos nessa casa e depois mudámo-nos para uma maior. O terraço era mais pequeno mas a casa era um espetáculo! Tudo porque ia chegar mais um irmão, neste caso, um irmão mais velho. Eu e a Luna éramos inseparáveis, mas a verdade é que a Luna estava a ficar mais velhinha e não tinha pedalada para as minhas palhaçadas, mas o Nine alinhava que era um mimo.

  Entre portas e travessas nesta família que amo muito, vi a minha mamã emigrar para nos dar uma vida melhor. Ela vinha sempre visitar-nos, pelo menos uma vez por mês e nunca esquecerei aquelas vésperas em que a via a fazer a mala, já sabia que ela ia embora outra vez e ficava muito triste. Ver aquelas malas à porta deixava-nos de rastos, queríamos a nossa mamã. Depois deixei de ver as malas, mas mesmo sem as malas ela desaparecia por uns tempos. Depois, a Luna adoeceu. Foi uma altura horrível, ver a minha irmã doente… vê-la partir foi muito custoso para todos, ainda hoje é. Acho que a minha amizade com o Nine mudou desde aí, já não temos aquela cumplicidade… sem a Luna não é a mesma coisa.

Não se riam da minha figura...eu sacudo a cabeça com muita força e faço feridas nas orelhas...
Não se riam da minha figura…eu sacudo a cabeça com muita força e faço feridas nas orelhas…

  No dia em que a Luna partiu, ficámos a saber que íamos todos embora daquela casa, o papá tinha arranjado trabalho perto da mamã. E assim foi. Um mês depois viemos todos de carro para uma cidade onde as pessoas falam de uma forma estranha mas muito engraçada. Claro que ainda temos o nosso terraço, onde adoro apanhar sol, e temos um parque fantástico ao lado de casa que até tem uma zona para patudos como eu, onde o meu dono me solta e ando a correr atrás da bola! A vida aqui é boa, raramente chove o que faz com que poucas vezes use a minha capa impermeável super fashion, mas como faz mais frio, uso umas roupas bem estilosas.

  Continuo a sentar-me nas cadeiras do veterinário, a atirar coisas ao chão com a minha cauda “chibata”, quando os meus pais chegam até a cauda toca uns acordes na viola, continuo a destruir a cama quando me vou deitar e continuo a aninhar-me na minha mãe. Continuo com a mesma alegria que tinha quando era cachopa. Não temos tantas visitas como antigamente, sinto falta dos meus amigos de duas patas. De vez em quando vêm visitar e fico histérica! Mas depois pronto, têm de regressar, não querem emigrar, totós… Isto é tão fixe…enfim!

Lamaaaaaa
Lamaaaaaa
Espera...disseste...banho?
Espera…disseste…banho?

 

 

 

 

 

 

 

  Agora, se me permitem, vou brincar mais um bocadinho. A vida são dois dias e eu não vou para nova.

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